Um cara de nome Carrole chegava na casa dum velhinho já surdo, e batia na porta. De dentro, a voz: quem bate? resposta: Carrole! O velho: Por que num bateu com a mão?
Meu vô era um cara que segurava uma capa de seriedade, sendo por dentro um palhaço. Contava piadas e olhava pros lados procurando as repreensões de vovó. Criativo, consertava e criava coisas. Não é lindo? uma pessoa criar coisas. Ele plantava verduras e fruteiras, e numa delas chorou comigo nos braços, quando ainda nenen iria embora de volta pra brasília. Vovô era mágico: o pai que me levava pra pescar e me dava bronca pelos meus desajeitos. Me comprava quadrinhos e numa das histórias clássicas da família eu disse, aos cinco anos: “vô, estude tabuada, que amanhã eu tenho prova.” Sendo que era ele quem me ensinava.
Vovô é dessas pessoas que eternizam, que mesmo depois de morto estão mais vivos que muitos dos que respiram. Falar dele me afeta um pouco, mas aí lembro de alguma coisa engraçada que fez e a lágrima acaba molhando um sorriso.
quero ser assim, em algum tempo, igual ao meu vô: molhando o sorriso das pessoas.