Me vejo ansioso para sair. Estou em casa, tomado banho, jantado. Era um leitecafépão que molhava um no outro enquanto via novela. Teria vindo da aula de reforço e não havia mais dever-de-casa. O ano era 89. Eu queria brincar.
Eveline vem pelo portão chamando, e isso era o máximo. Juntava um, dois, três e a imaginação criava brincadeiras de correr, esconder ou ficar sentado, falando coisas de criança dos anos 80, como a novo disco da xuxa ou o último episódio dos Changemen. Não há ladrões, e se tem espaço pra correr sem medo de carros. Alguns sacaneavam no esconde-esconde, e até hoje não sei porque raios sinto vontade de mijar quando tô escondido. Eu adorava correr; a gente fazia campeonato. Queimada era um saco, mas eu ia, porque num ia ficar só mesmo que quisesse. A noite se passa, seo Pinto, pai de Eveline, se senta no banquinho, toca a conversar com a gente: militarismos dele. O portão de casa se abre: é minha mãe chamando. A novela acabou e está tarde. Cansado, contrariado, entro. Às 7 tenho aula, e já é hora. Até amanhã.



