Archive for agosto \20\UTC 2008

“é verdade…”

20 agosto, 2008

Quantas vezes peguei meu avô falando isso sozinho, depois que sua mulher morreu. Uma frase largada no ar, sem rumo, pro nada. Meu outro avô adquiriu um “é, rapaz…” quando estava só, terminado algo por fazer,e mandava. Quantas vezes peguei carona com minha mãe, o rádio desligado: “é, Aparecida…”, e eu nunca soube o que dizer, ou entendia essas frases tantas indo para o vento, assim.

“é, rapaz…”

Foi há dez minutos. Eu tirava a meia.

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Olá, eu sou o Dyego.

15 agosto, 2008

Eu gosto de passar a mão na pele de rosto depois de fazer a barba, de guardar brinquedo e livro antigo; da sensação da água fria do mar passando pelos pés, de falar algo que a pessoa não entende naquele momento, mas de manhã cedinho, quando ela recapitular o dia anterior, vai entender o que eu disse, e rir. Gosto do cheiro que tinha na casa da minha avó, de cheirar o papel da nova revista em quadrinho.

Eu não gosto de pegar o papel e a pessoa puxar antes, de repetir o que falo, de ser punido quando feliz. Não gosto de dormir com o pé sujo, de formulário, de repetir o que falo.

o que no olho se lê, antes que eu o desvie

6 agosto, 2008

Que a porta se abra,

Ar entrando,

Ansiedade que chove,

Correndo de vez,

Rindo,

Aos olhos do meu filho

sou herói, deus, mito,

Palhaço, mágico, trapezista,

Abraço quente.

Dele, a leveza que me falta,

Cura, vida em bracinhos e mãos,

Paz sem culpa,

Afeto,

Medo com sinal de menos:

Saudade do que nunca tive.