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Comecei a ler cedo;

3 setembro, 2008

Desde os cinco já conseguia ler com facilidade os textos da escola, que eram simples e robóticos, um tal de vovô viu a uva. Quem diabos quer saber se vovô (de quem?) viu a uva ( e o resto, não?). E o mais chato era quando tinha que responder umas perguntas sobre o tal texto enigmático, tipo:

1- o que é que havia na casa que não tinha teto, não tinha nada?

Isso podia muito bem ser um teste daqueles Voight Kampff pra saber se eu era um daqueles replicantes que tinha visto no recém lançado Blade Runner.

O que eu gostava mesmo era de historinha. Lembro que a minha professora levou a gente pruma salinha da nossa escola, cheia de livros, e comecei a ler uma dum passarinho dourado. Como era muito longo (devia ter umas 5 páginas), bati o pé pra que meu pai comprasse aquele livro na livraria da cidade. E comprou (meu pai até hoje acha que comprar livro é gastar estranhamente dinheiro, que é papel, em mais papel. Tá, chega de tanto parêntese). O fato é que me apaixonei pela historinha e não sei como e por quê, minha mãe me comprou uns discos de histórias: um deles era duma gaivota que batia a cabeça numa pedra, nossa, ficava horrorizado quando narrador, em voz grossa, dizia:

“e a gaivota fulana cai velozmente em cima de uma pedra!”

Outro motivo largo por eu ter gostado tanto de historinha era por causa da minha avó, que vinha em casa pôr a gente pra dormir, e contava a história que a gente (os 3 irmãos) entitulava: “ah, vó, conta a da borboleta!, conta a do boi!, a de Pepe (eu)!”. E lá vinha ela levar a gente pra lugares distantes, até que a gente pof, dormia. Era mais ou menos como acontecia com seu professor de história da idade média, sendo que a gente estava na cama.

Os quadrinhos vieram quando achei uma revista do Pelezinho na estante aqui de casa, em meio às cartas que meus pais se escreviam no passado. Fui atrás de mais, e na época (85/86), a Turma da Mônica que era da editora Abril,  estava migrando pra editora Globo. Tive a sorte de pegar a número 1 do Chico Bento e ainda tenho uns números baixos do Cebolinha, Mônica e Cascão. Ah, cara, era muito engraçado aquelas histórias. Ainda hoje eu releio e dou risada, até porque nem entendia algumas piadas na época. Foi quando comecei minha coleção de quadrinhos, que me fazia infernizar os meus pais a comprarem todo mês ao menos duas, quando não, 10, quando passava de ano com notas boas. Minha vasta coleção começava, e meu eu também. Mas isso é história pra outro dia. Vou parar por aqui, já me sinto a minha vó contando aquelas histórias, e você cohilando, cochilando…

Chico Bento 1

Chico Bento 1

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