Archive for the ‘biografia’ Category

Paquito.

27 novembro, 2008

Comprei um hamster depois que vi o anúncio de ‘liquidação’ numa loja de animais aqui da cidade. A loja fechou, mas deu pra comprar o Paquito, isso era setembro. Aprendi a cuidar de hamsters em vários sites, blogues e forums, pra não errar; era o primeiro bichinho que eu criava, por eu mesmo e era o que queria há tempos. Seu olho enflamou, cuidei, e hoje ele morreu. Desde ontem notei ele meio desajeitado e inchado, como se engordasse da noite pro dia. Troquei a areia, a agua, dei comida, era o mais que eu pude fazer, porque aqui não existe quem cuide desses bichinhos. Voltei do trabalho e já corri pra gaiola: ele estava mole, tremendo. Fiz carinho, tentei animá-lo, mas, agora por volta das 22hs, ele já não mais interagia com as coisas.

Fiquei um tempo com ele, lá fora, antes de enterrá-lo no jardim, que ele gostava tanto.  a gente põe energia, põe amor e, é triste. Vou ter saudade das bagunças dele, meu amigão, meu pipito.

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Comecei a ler cedo;

3 setembro, 2008

Desde os cinco já conseguia ler com facilidade os textos da escola, que eram simples e robóticos, um tal de vovô viu a uva. Quem diabos quer saber se vovô (de quem?) viu a uva ( e o resto, não?). E o mais chato era quando tinha que responder umas perguntas sobre o tal texto enigmático, tipo:

1- o que é que havia na casa que não tinha teto, não tinha nada?

Isso podia muito bem ser um teste daqueles Voight Kampff pra saber se eu era um daqueles replicantes que tinha visto no recém lançado Blade Runner.

O que eu gostava mesmo era de historinha. Lembro que a minha professora levou a gente pruma salinha da nossa escola, cheia de livros, e comecei a ler uma dum passarinho dourado. Como era muito longo (devia ter umas 5 páginas), bati o pé pra que meu pai comprasse aquele livro na livraria da cidade. E comprou (meu pai até hoje acha que comprar livro é gastar estranhamente dinheiro, que é papel, em mais papel. Tá, chega de tanto parêntese). O fato é que me apaixonei pela historinha e não sei como e por quê, minha mãe me comprou uns discos de histórias: um deles era duma gaivota que batia a cabeça numa pedra, nossa, ficava horrorizado quando narrador, em voz grossa, dizia:

“e a gaivota fulana cai velozmente em cima de uma pedra!”

Outro motivo largo por eu ter gostado tanto de historinha era por causa da minha avó, que vinha em casa pôr a gente pra dormir, e contava a história que a gente (os 3 irmãos) entitulava: “ah, vó, conta a da borboleta!, conta a do boi!, a de Pepe (eu)!”. E lá vinha ela levar a gente pra lugares distantes, até que a gente pof, dormia. Era mais ou menos como acontecia com seu professor de história da idade média, sendo que a gente estava na cama.

Os quadrinhos vieram quando achei uma revista do Pelezinho na estante aqui de casa, em meio às cartas que meus pais se escreviam no passado. Fui atrás de mais, e na época (85/86), a Turma da Mônica que era da editora Abril,  estava migrando pra editora Globo. Tive a sorte de pegar a número 1 do Chico Bento e ainda tenho uns números baixos do Cebolinha, Mônica e Cascão. Ah, cara, era muito engraçado aquelas histórias. Ainda hoje eu releio e dou risada, até porque nem entendia algumas piadas na época. Foi quando comecei minha coleção de quadrinhos, que me fazia infernizar os meus pais a comprarem todo mês ao menos duas, quando não, 10, quando passava de ano com notas boas. Minha vasta coleção começava, e meu eu também. Mas isso é história pra outro dia. Vou parar por aqui, já me sinto a minha vó contando aquelas histórias, e você cohilando, cochilando…

Chico Bento 1

Chico Bento 1

“é verdade…”

20 agosto, 2008

Quantas vezes peguei meu avô falando isso sozinho, depois que sua mulher morreu. Uma frase largada no ar, sem rumo, pro nada. Meu outro avô adquiriu um “é, rapaz…” quando estava só, terminado algo por fazer,e mandava. Quantas vezes peguei carona com minha mãe, o rádio desligado: “é, Aparecida…”, e eu nunca soube o que dizer, ou entendia essas frases tantas indo para o vento, assim.

“é, rapaz…”

Foi há dez minutos. Eu tirava a meia.

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27 maio, 2008

Me vejo ansioso para sair. Estou em casa, tomado banho, jantado. Era um leitecafépão que molhava um no outro enquanto via novela. Teria vindo da aula de reforço e não havia mais dever-de-casa. O ano era 89. Eu queria brincar.

Eveline vem pelo portão chamando, e isso era o máximo. Juntava um, dois, três e a imaginação criava brincadeiras de correr, esconder ou ficar sentado, falando coisas de criança dos anos 80, como a novo disco da xuxa ou o último episódio dos Changemen. Não há ladrões, e se tem espaço pra correr sem medo de carros. Alguns sacaneavam no esconde-esconde, e até hoje não sei porque raios sinto vontade de mijar quando tô escondido. Eu adorava correr; a gente fazia campeonato. Queimada era um saco, mas eu ia, porque num ia ficar só mesmo que quisesse. A noite se passa, seo Pinto, pai de Eveline, se senta no banquinho, toca a conversar com a gente: militarismos dele. O portão de casa se abre: é minha mãe chamando. A novela acabou e está tarde. Cansado, contrariado, entro. Às 7 tenho aula, e já é hora. Até amanhã.